Produtores emitem nota de repúdio e se mobilizam contra aumento do Fundersul

Eles afirma que projeto do governador terá impacto sobre toda a cadeia produtiva.

| MIDIAMAX/DANúBIA BUREMA


Audiência na ALMS. (Minamar Júnior, Midiamax)

Produtores rurais sul-mato-grossenses emitiram nota de repúdio ao aumento de até 40% no Fundersul, conforme previsto em projeto de lei enviado pelo governador Reinaldo Azambuja (PSDB) à ALMS (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul). Eles se mobilizam para ato na ALMS (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul) na próxima quarta-feira (13) e adiantam que o aumento de imposto terá impacto sobre toda a cadeia produtiva.

Em nota, sindicatos rurais de seis municípios informaram querer evitar que o custo proposto pelo Governo seja repassado à população. De acordo com eles, o impacto não será restrito aos produtos agropecuários, mas acabará atingindo o comércio de modo geral.

Além da nota pública, produtores da cadeia leiteira reuniram-se na ALMS na tarde desta segunda-feira (11), para audiência pública sobre os desafios da atividade no Estado. “Somos totalmente contra qualquer ação que aumente a carga tributária dos produtores”, pontuou Ronan Salgueiro, conselheiro da Abraleite e presidente do Sindicato Rural de Campo Grande, presente no evento.

O temor é que os produtos deixem de ser competitivos, principalmente na pecuária para exportação. De acordo com ele, na pecuária do leite, os produtores já estão no gargalo com fazendas leiteiras há anos. “É uma atividade em que se conta em centavos. Então qualquer aumento, pequeno ou grande, principalmente como é o Fundersul, impacta na produção leiteira”, afirmou. “Já estamos no limite. Qualquer coisa a mais vai prejudicar e muito a atividade do agronegócio”, completou.

O presidente reclamou ainda da falta de fiscalização e transparência na destinação dos recursos arrecadados pelo Governo do Estado. Segundo ele, deve haver maior clareza ‘para que a comunidade saiba onde está sendo investido, quanto está sendo investido, como e quanto vai trazer realmente benefício para o produtor’.

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Em relação à proposta do Legislativo, Ronan disse que a categoria irá se manifestar. “Nós vamos buscar e brigar para que isso não aconteça”, afirmou. Ele também criticou a medida, que vai na contramão da desoneração da cadeia que vem sendo proposta pelo presidente Jair Bolsonaro.

Afeta os pequenos

“É muito difícil pra nós produtor pequeno, porque o imposto é muito alto e preço do leite muito baixo”, afirmou o pequeno produtor Mário Rosa. Segundo ele, no momento em que os produtores atravessam uma seca, a situação fica ainda mais complexa. Ele lista os gastos com ração, silagem, energia elétrica.

Diferente da pecuária, a cadeia leiteira está associada ao pequeno produtor. “Nos assentamentos são pequenos produtores, que produzem 50 litros, 100, 30 litros”, explicou. “Tem uns que são melhores de situação financeira e produzem mais, mas a maior parte é fraco”, lamentou.

Segundo ele, o impacto do imposto terá que ser repassado à população. “Senão as pessoas [produtores] vão desistir”, adiantou.

Repúdio

Sindicatos rurais de Bonito, Guia Lopes da Laguna, Jardim, Nioaque, Miranda e Bodoquena emitiram por meio da Famasul contra a proposta de Reinaldo. Eles prometem mobilização na próxima quarta-feira (11) na ALMS. Confira a íntegra do texto divulgado:



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