Simulação de rompimento de barragem assusta moradores

Redes sociais da internet 'viraram do avesso' com teste

| CORREIO DO ESTADO / RAFAEL RIBEIRO


Simulação de rompimento de barragem assusta moradores

Imagens de um vídeo circulando nas redes sociais sobre o alerta de rompimento de barragem de mineradoras existentes na região de Corumbá assustaram muita gente. O fato aconteceu na tarde de segunda-feira, 26, e faz parte de uma ação que antecede uma simulação, que deve acontecer nos dias 28 e 29 de agosto, nas mineradoras Vetorial e Vale. A informação foi confirmada ao Diário Corumbaense pelo diretor-executivo da Defesa Civil de Corumbá, Isaque do Nascimento.

Nas imagens, condutores de veículos aparecem parados em um bloqueio de trecho da BR-262, próximo a uma das mineradoras. Uma sirene tocou emitindo o alarme de rompimento de barragem. Sem saber do que se tratava, algumas pessoas ficaram assustadas.

Isaque do Nascimento explicou que se tratava de uma pré-simulação e que a Polícia Rodoviária Federal (PRF) esteve no local, junto aos condutores dando apoio à ação. “Estamos realizando os últimos ajustes para o simulado com as empresas Vale e Vetorial que acontecem nesta quarta e quinta e ontem (26) foi realizada no final da tarde uma pré-simulação para verificar o tempo resposta da PRF, tempo de deslocamento, onde a mancha de inundação transpõe, e instrumentos utilizados para fazer o bloqueio da via. Num eventual sinistro na barragem da Vetorial, os rejeitos de minério poderiam atingir ou até mesmo ultrapassar a BR-262”, destacou o diretor da Defesa Civil. 

Ele ainda ressaltou que as simulações vão durar dois dias: na quarta-feira (28), com a Vetorial, quando haverá a interdição da BR-262. Já no dia 29, na barragem da Vale, a rodovia não será bloqueada.

“Como já foi explicado, caso haja rompimento da barragem da Vetorial, os rejeitos de minério poderão chegar à BR-262, ao contrário da empresa Vale, que conforme estudos, não avançaria até a rodovia. Só na linha de frente da mineradora Vetorial, temos cerca de 10 moradias que seriam atingidas, o que representa entre 30 e 35 pessoas, entre crianças, jovens, adolescentes, adultos e idosos. Já na Vale, conforme os mapeamentos, existem cerca de 196 pessoas na região, porém, o número pode subir, caso um eventual sinistro ocorra no final de semana, por conta do grande movimento de pessoas na área, devido aos balneários”, salientou.

Importância do simulado

Isaque falou que a simulação é de grande relevância, pois é de caráter preventivo. “Na medida em que fazemos a simulação, temos um instrumento preparatório, para que, em caso de um rompimento de barragem, os funcionários das empresas, a população que está na frente dessa linha de risco e os órgãos envolvidos na segurança, possam ter uma resposta ao sinistro de forma segura e imediata”, esclareceu Isaque do Nascimento.

O diretor da Defesa Civil ressaltou que a população que vive nessa linha de risco tem que participar, já que a simulação é para a própria segurança, caso haja registro do sinistro na região.

“A população tem que encarar como possibilidade dela se treinar mediante a um fato que pode acontecer. Ou seja, como eles devem se deslocar com segurança através das rotas de fuga até atingirem os locais seguros onde os rejeitos de minério não irão afetá-los. O simulado é para essas pessoas, além dos funcionários das empresas que se encontram na linha do prejuízo desse impacto. Buscamos conscientizar os moradores para que participem do simulado justamente para que tenham esse compromisso de manter a própria segurança, bem como órgãos ligados a esta força-tarefa, que tem a responsabilidade de estarem cooperados com a Defesa Civil, em eventual sinistro”, afirmou. 

Para os dias do simulado, foram convidados para participar órgãos como o Corpo Bombeiros, PRF, Exército, Marinha, SAMU, Meio Ambiente, Defesa Civil Estadual, Ibama, Agencia Nacional de Mineração, Guarda Municipal (pelo recurso humano que pode ser empregado) e o MPF, entre outros órgãos. 

Os simulados devem acontecer na parte da manhã dos respectivos dias, com a mobilização das equipes envolvidas. Após todos as ações, haverá um balanço para apontar os erros e acertos ocorridos nas simulações. “Vamos fazer esse balanço do trabalho preventivo e pedimos que a população daquela região participe e que os motoristas que forem trafegar pela BR-262 no dia 28, quando haverá a interdição da via, tenham paciência”, finalizou Isaque.   

Barragens em Corumbá

Mato Grosso do Sul conta com 16 barragens que armazenam resíduos de atividade mineradora, todas elas localizadas em Corumbá, mais precisamente no Maciço do Urucum, consideradas de “dano potencial alto”.

São estruturas como estas que se romperam em Mariana (MG), provocando dezenas de mortes, deixando milhares sem água potável, e acabando com povoados.

A barragem Sul, situada na Mina Laís (morraria de Urucum), a maior da Vetorial, tem capacidade máxima de 800 mil metros cúbicos, com projeto para ser ampliada para 1 milhão de metros cúbicos. Em caso de rompimento, essa barragem atingiria dois córregos e a lama se estenderia por 7 km.

A principal barragem da Vale, a Gregório (morraria de Santa Cruz), com capacidade para 9 milhões de metros cúbicos, opera há 27 anos sem apresentar problemas. Há outras barragens com rejeito seco, em processo de retomada operacional, e também unidades que estocam rejeitos de manganês, em menor escala em relação ao minério de ferro. Essas barragens estão situadas às margens da BR-262, em Urucum.

No entanto, conforme avaliações feitas, quem mais sofreria em caso de rompimento de barragens, seria o Pantanal, bioma único no mundo.



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