Ponto cego: estrutura do PCC comandada da Máxima em Campo Grande é alvo de 6 denúncias

Operação em 2020 cumpriu 54 mandados contra a facção

| MIDIAMAX


Equipes policiais durante a Operação Ponto Cego - (Arquivo, Midiamax)

Em 7 de julho de 2020, a Operação Ponto Cego cumpriu 54 mandados em Mato Grosso do Sul contra o PCC (Primeiro Comando da Capital), dos quais 40 foram de prisão preventiva. Menos de um mês depois, 6 denúncias foram apresentadas contra os acusados, ilustrando a estrutura da facção comandada de dentro dos presídios no Estado.

Os processos tramitam em sigilo, mas o Midiamax teve acesso a uma das denúncias, na qual são citadas lideranças do PCC em Campo Grande. A denúncia foi recebida em outubro de 2020, quando os acusados se tornaram réus por integrarem organização criminosa, além de outros crimes comandados pela facção.

Na estrutura apresentada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), é evidenciada a forma como a facção se organiza no Estado. Não foram identificados todos os integrantes, mas pelo menos 190 faccionados do interior tiveram o apelido, o ‘vulgo’ reconhecido e documentado.

Em Campo Grande, a facção atua de forma que a cidade é dividida em 5 regiões, central, zona norte, zona sul, zona leste e zona oeste. Entre os integrantes apontados como liderança, estão Eder de Barros, o ‘Mistério’ e Leonardo Ortelhado, nomes já noticiados, apontados como autores de crimes envolvendo a facção.

Também entre os 40 identificados pelo Gaeco, contra os quais foram cumpridos mandados de prisão, estão autores do homicídio de Maykel Martins Pacheco, em 2019.

Na denúncia que trata das lideranças da facção, o Gaeco cita escutas telefônicas que teriam levado até os integrantes. A princípio, parte deles já estava presa antes da operação. Foram denunciados Douglas Gonçalves da Silva, Rodrigo Vieira Cristaldo e Lucineis Lino dos Santos, que estavam presos na Máxima na época.

Também André Jorge Alvares, que estava na Gameleira, Everton Otaviano de Souza, que estava no Centro de Triagem, e uma mulher, que estava em liberdade. O Gaeco aponta os denunciados como lideranças da facção criminosa, que teriam cargos de gerência na organização criminosa.

Entre eles estariam responsáveis por distribuírem material bélico entre faccionados, tanto para utilizarem em crimes como para comercializarem. Também responsáveis pelo controle de integrantes, para que cumprissem os deveres, os conhecidos como ‘disciplina’. Além disso ainda foi apontada pessoa responsável por movimentação financeira do grupo.

Namorada de uma das lideranças da facção foi presa e tentou, mais de uma vez, liberdade. No último pedido, o Gaeco chega a apontar como ela integrava a facção, também que conhecia todos os integrantes e que a liberdade poderia ser uma forma de ela voltar a praticar crimes. Em conversa com o namorado, eles chegam a citar uma matéria do Midiamax.

Na ocasião, o então apontado como disciplina do PCC teria agredido uma pessoa, que registrou boletim de ocorrência contra ele. “Amor, tô no Midiamax, os homens do Choque estão atrás de mim', diz na mensagem. Também com outras mensagens, o Gaeco pontua a atuação do casal na facção criminosa e a importância de manutenção da prisão da acusada.

Os processos tramitam em sigilo e até o momento não há informação de condenações.

Segundo o Gaeco, os membros são ordenados hierarquicamente, com divisão clara de tarefas. A cúpula é formada pelo núcleo que chamam de Resumo, composto por integrantes do alto escalão da facção, que supervisionam e definem os rumos da atuação do PCC no Estado, adequando aos interesses e determinações da Sintonia Geral Final, a liderança nacional.

O Resumo é subdividido em Resumo Disciplinar que faz o controle da disciplina, Resumo Financeiro que controla as finanças e contabilidade da facção, Resumo do Progresso que controla as atividades criminosas, Resumo da Rifa de controle do auxílio financeiro e Resumo do Cadastro que controla os integrantes da facção.

Além do Resumo há o núcleo Geral do Estado, que centraliza geograficamente as atividades da facção e assuntos que envolvem o PCC em todo o MS. Estes integrantes são responsáveis por repassarem ao Resumo tudo aquilo que precisa de deliberação superior e também determinam aos quadros inferiores a execução das atividades criminosas.

Neste núcleo também é feira a normatização de conduta dos membros do PCC, controlando e disciplinando os integrantes. Para cada atividade criminosa, o Gaeco identificou que há uma Geral coordenando, seja pelo cargo que tem ou pela localização. Como exemplo foi citado o Geral do Progresso, responsável por coordenar tráfico de drogas, que também é ramificado em setores conforme a droga comercializada.

Além deste também existem o Geral da Rua, que é quem comanda os roubos, latrocínios, furtos, sequestros e execução de membros de facções rivais, Geral das Ferramentas responsável pelas armas de fogo usadas pelo PCC, Geral do Sistema que é a liderança dentro do presídio, aquele que controla e disciplina os membros do PCC presos.

Ainda há o Disciplina da Rua que é aquele que controla os integrantes que estão fora dos presídios para que cumpram seus deveres. Territorialmente o PCC ainda se subdivide em Geral da Regional, Geral da Cidade, Geral da Capital, Geral do Interior e Geral das Comarcas.


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